Ôi? É interjeição de chamamento, uai. É que, em Minas, a gente bota circunflexão nas coisas...
O "oi", mineiro, é carregado de emoção. Do mesmo modo que o tcháu, que é uma interjeição "despeditória". Por aqui a gente diz: - Tcháu prôcê, víu? E não para outro. O tal "tcháu" é para certo alguém bem específico.
Só que nosso ôi tem outro significado: ôi é olho. E aí vem uma série infinita de coisas que caem no olho. A gente se lembrou disso por conta da contusão "olhífera" do baby-craque do Santos, o Neymar, neste domingo, durante o jogo contra o Santo André, pela decisão do campeonato paulista de 2010.
Dor nuzói é fogo! E é preciso abríuôi cácôiza... Tem gente que córr'uôi, só para ver se tudo está funcionando direito. Um tempo infinitesimal? Um piscádiôi...
Foi lembrar de tanto olho e me deparo com a constatação de que não há nada mais cruel do que uma criança. Meninos são bichos tinhosos e danados. Caboclo albino? Sarará. Barátadiscascáda. E por aí vai. É que a ideia do politicamente correto ainda não os alcançou. Então, aprende-se em criança a ironizar os que apresentam quaisquer deficiências. O problema é que, algumas vezes, o sujeito envelhece e nem o tempo corrige.
O Jão, coitado, sofreu quinem suvácc djálêjádd por causa de sua miopia. Usava um "oclão". Um zóc. Hm? Zóc, sô! Daí, quatuôi.
Infância de descobrir ninhos de pássaros quase não existe mais. Uma pena, até mesmo nesses Gerais sem fim e sem começo em que se vive.
Engole-vento, noitibó, bacurau, curiã, joão-corta-pau (talvez seu apelido mais engraçado): esse passarim amarronzado, castanho, camuflado feito um soldado, é ave migratória que vem de longe, dizem.
Determinadíssima, a fêmea do curiango não faz ninho: bota os ovos em campo aberto e os choca sozinha. E os pais se revezam na "tomação de conta" da "filhotagem". O curiango talvez tenha inspirado feministas, nunca se sabe...
Dicionário fechado é coisa triste. De modo que me abri para dizer que qualquer passarim na gaiola é maldade. Ou talvez fazer poesia; quem sabe um aiquase:
"Tempo de passarim
é alma de menino
brincando
de riscar o céu."
Dizem que os mineiros têm resposta para todas as coisas. Quero crer que isto seja verdade. Sabe por quê? É que há por aqui uma gente muito simples. Sem complicações de quaisquer naturezas.
Como é que se faz? O pessoal usa algumas palavras que salvam tudo na hór'agá, palavras que são como que"conjuminações geraisanas", em geral redutoras e finalizantes. Expressões também, ora essa. Como, por exemplo, como é, que se torna... mé. E pronto. Não é simples?
Mineiro, quando não sabe do que se trata, não se aperta. Dijêittninhúm! Usa um "méquichãma" e está tudo resolvido.
Se o problema for grande, automaticamente se torna um trem. Qualquer trem. E se for pequeno? Um trenzim di náda. Ou um méquichãminha.
Se não sabe o nome do que precisa, diz logo: - Pég'alí aquêll méquichãma prá mim, mêu fí! E o camarada vai lá e pega. Exatamente o méquichãma necessário para se resolver o "trem"
Víu mé q'minêr'u num siapérta?